Quero uma vida azul-piscina!

Quero uma vida azul-piscina!

Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica.

Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica.

Por ele eu vou até o Acre e me finjo de índia.

Por ele eu vou até o Acre e me finjo de índia.

Meu mundo

Meu mundo
Mundo

terça-feira, 21 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Bilhete...


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

(Mario Quintana)

Olhos ciganos



Tenho os olhos da cor da paisagem,
De mata e poeira,
Onde me doem as saudades de claros riachos
Que banharam meu rosto em outrora
E cuja água mansa apanhei com as mãos,
Como uma criança sedenta de vida.
Lembro-me que fui fecunda e luminosa;
Que me viram nua mornos lençóis de cambraia;
Que me foi mãe carinhosa a manta de estrelas
Em noites de estradas de terra, sem fim...
Que em tendas de esperança
Dormiu meu coração ligeiro;
Que fui égua alazã de caravana errante;
Que vivi amor pagão
Em tempos de dor e coragem...
Hoje, que me perco em ínfimos caminhos,
Por cuja posse ouvi ladrarem mil e um,
Fito meus olhos ciganos
Adivinhando o futuro num caco de espelho
No intento de ver se eu sou a que me segue
Ou se a que me arrasta.



Quando vejo o seu olhar,
Penetrando assim no meu,
Começo então a sonhar
E louco para adentrar
Nesse lindo olhar que é seu!


Aí fazer a morada,
Aconchego do meu ninho,
Lambuzar com meu carinho
Os seus olhos cor de mel,
Sentir-me subindo ao céu
Nas asas de um passarinho!



Quanto vejo o seu olhar
Insinuar que me quer,
Não consigo acreditar
No que ele está dizendo,
Então acabo querendo,
Ter você como mulher!



Quando vejo o seu olhar
Cheio de luz e desejo,
Começo a imaginar
Afogando-me em beijos,
No seu corpo que é meu mar!

Tu mulher






Quem é esta mulher desfalecida
Que ao expirar parou-me o coração?
Acorda, minha Bela Adormecida!
Não morre mais em mim, minha ilusão!


Desperta para o sonho, volta à vida!
Que a vida é um sonho lindo e sem razão,
E o tempo é tão efêmero, querida,
Longa é a eternidade e a solidão...


E é pouco o que ainda pensas que desejo,
Dentro do teu olhar se estende um mar,
Louco, que sou, que mais profundo almejo!


Por ti me afogo a imensidão qualquer:
Se me olha com espanto adoça o olhar!
E queiras-me com olhos de mulher...


domingo, 12 de abril de 2009

OS DEGRAUS

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Mário Quintana

sábado, 11 de abril de 2009


Descobri que não é fácil viver;
que o destino nos reserva dor,
mais que a tristeza termina
onde começa o amor...


"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando; falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria."

(Charles Chaplin)

Do Primeiro Olhar Do Primeiro Beijo Do Casamento...


~ Do Primeiro Olhar ~

É aquele momento em que a Vida passa da sonolência para a alvorada. É a primeira chama que ilumina o íntimo mais profundo do coração. É a primeira nota mágica arrancada das cordas de prata do sentimento. É aquele momento instantâneo em que se abrem diante da alma as crônicas do Tempo, e se revelam aos olhos as proezas da noite, e as vozes da consciência. Ele é que abre os segredos da Eternidade para o futuro. É a semente lançada por Ishtar, deusa do Amor, e espargida pelos olhos do ser amado na paisagem do Amor, depois regada e cuidada pela afeição, e finalmente colhida pela alma.

O primeiro olhar vindo dos olhos do ser amado é como o espírito que se movia sobre a face das águas e deu origem ao céu e à terra, quando o Senhor sentenciou: "E agora, vivei!"

~ Do Primeiro Beijo ~

É o primeiro gole de néctar da Vida, numa taça ofertada pela divindade. É a linha divisória entre a dúvida que engana o espírito e entristece o coração, e a certeza que inunda de alegria nosso íntimo. É o começo da canção da Vida e o primeiro ato do drama do Homem Ideal. É o vínculo que une a obscuridade do passado com a luminosidade do futuro; é a ponte entre o silêncio dos sentimentos e a sua própria melodia. É uma palavra pronunciada por quatro lábios, proclamando o coração um trono, o Amor um rei e a fidelidade uma coroa. É o toque leviano dos dedos delicados da brisa nos lábios da rosa — pronunciando um longo suspiro de alívio e um suave gemido.

É o começo daquela vibração mágica que transporta os amantes do mundo das coisas e dos seres para o mundo dos sonhos e das revelações.

É a união de duas flores perfumadas; e a mistura de suas fragrâncias, para a criação de uma terceira alma.

Assim como o primeiro olhar é uma semente lançada pela divindade no campo do coração humano, assim o primeiro beijo é a primeira flor nascida na ponta dos ramos da Árvore da Vida.

~ Do Casamento ~

Aqui o Amor começa a traduzir a prosa da Vida em hinos e cânticos de louvor, com música que é preparada à noite para ser cantada durante o dia. Aqui a força do amor despe-se dos seus véus, e ilumina todos os recessos do coração, criando uma felicidade que só é excedida pela da Alma quando se encontra com Deus.

O casamento é a união de duas divindades para dar nascimento a uma terceira na terra. É a união de duas almas num amor tão forte que possa abolir qualquer separação. É aquela superior unidade que junta as metades antes separadas, de dois espíritos. É o elo de ouro de uma cadeia cujo começo é um olhar, e cujo fim é a eternidade. É a chuva pura que cai de um céu perfeito para frutificar e abençoar os campos da divina Natureza.

Assim como o primeiro olhar entre os que se amarão é como uma semente lançada no coração humano, e o primeiro beijo de seus lábios uma flor nos ramos da árvore da vida, também a união de dois amantes pelo casamento é como o primeiro fruto da primeira flor daquela semeadura.

(Gibran Kahlil Gibran)